quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O regente capital


O amor ao dinheiro e seus efeitos colaterais

Matheus Viana

Capital ou simplesmente dinheiro. Assunto que aborda as quatro esferas fundamentais de uma sociedade: espiritual, moral, política e social. Jesus falou acerca dele sob estas quatro perspectivas.

Espiritual quando disse: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e odiará a outro. Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro.” (Evangelho segundo Mateus 6:24).

Moral quando, em resposta ao seu discípulo Judas que, segundo a Bíblia, propôs; “Por que este perfume não foi vendido e o dinheiro dado aos pobres? Seriam trezentos denários. Ele não falou isso por se interessar pelos pobres, mas porque era ladrão; sendo responsável pela bolsa de dinheiro, costumava a tirar o que nela era colocado”. (Evangelho segundo João 12:6), disse: “Deixa-a em paz; que o guarde para o dia do meu sepultamento. Pois os pobres vocês sempre terão consigo, mas a mim vocês nem sempre terão”. (Evangelho segundo João 12:7).

Politica quando respondeu ao ser interrogado pelos fariseus no tocante ao pagamento do imposto ao império romano “... dêem a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. (Evangelho segundo Lucas 20:26).

E social quando aconselha o jovem rico que lhe indagara sobre como receber a vida eterna “... Venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres”. (Evangelho segundo Lucas 18:21).

Há muitas literaturas e ensinos sobre finanças. Contudo, a esmagadora maioria não aborda estes aspectos. Nos Evangelhos, vemos que Jesus elucida o ensino sobre dinheiro na ordem citada acima. Por quê? O apóstolo Paulo, anos mais tarde, exorta seu discípulo Timóteo: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. (I Timóteo 6:10). Tal afirmação possui sua base nos ensinamentos de Jesus.

Seu primeiro ensinamento foi sobre o fato de servirmos ao dinheiro. No entanto, não abordou somente o prestar serviço, mas o ser devoto a ele. Na contramão da filosofia que rechaça qualquer atributo de caráter metafísico disseminada por Nietzche e que ecoa na mente de ateus, toda devoção, ainda que seja a algo natural, tem sua origem na esfera espiritual.

A primeira afirmação de Jesus proferida em seu sermão da montanha foi: “Bem-aventurado os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus”. (Evangelho segundo Mateus 5:3). Esta era uma confirmação de sua missão revelada por Ele quando pregava em uma sinagoga na cidade de Nazaré: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres...”. (Evangelho segundo Lucas 4:18). Que, na verdade, era o cumprimento da profecia decretada pelo profeta Isaías (Isaías 61:1).

Muito mais do que o reconhecimento de nossa miserabilidade em relação à soberania divina, Jesus queria nos ensinar sobre quem realmente é alvo de Seu reino: os pobres de espírito. A pobreza espiritual é o epicentro da pobreza humana em todos os outros aspectos. E esta, consiste em, além de sermos pobres, permanecermos nela sem reconhecê-la e, com isso, rejeitando a intervenção divina que nos foi oferecida.

A partir do momento que o nosso espírito é corrompido, uma reação em cadeia acontece. Nossa moral é deteriorada (Jeremias 17:9), corrompendo a política e comprometendo toda a sociedade (Isaías 60:2).

Para compreendermos o ciclo da degradação humana, usaremos como exemplo a saga de Judas. O drama vivido por ele que culminou em seu suicídio começou no fato de não observar o primeiro mandamento de Jesus: o de não servir ao dinheiro.
Judas era um dos doze discípulos mais próximos de Jesus. Acompanhou de perto os ensinamentos, os milagres e todo o desdobramento do ministério do Mestre. Mesmo assim não deixou de ser submisso ao seu extremo apego ao dinheiro. A narrativa bíblica é clara quando descreve sua personalidade: um ladrão que, responsável pelas finanças de Jesus, tirava para si o que era arrecadado.

O fator preponderante que resultou na depreciação moral de Judas foi sua miséria espiritual em não reconhecer Jesus, o filho de Deus a quem seguia, como Senhor da sua vida acima do materialismo que nutria em sua alma.

Esta mesma inobservância foi o epicentro da crise econômica deflagrada em 2008 e que deixou sérios resquícios os quais temos convivido. A Europa que o diga. Não foi apenas um mero colapso do sistema capitalista, mas a pobreza espiritual instalada no coração do homem que o faz ser dependente e absurdamente devoto ao capital.

Sim, o sistema econômico mundial vigente prega e dissemina a filosofia do capital como centro de todas as coisas. Logicamente, não serei incoerente em ignorar o fato de ele ser necessário para o sustento e suprimento de nossas necessidades, além de um importante agente de desenvolvimento em todas as quatro esferas aqui analisadas. Contudo, ele não pode, de maneira nenhuma, reger nossas vidas. Todavia, tem sido exatamente ele o soberano regente da sociedade pós-moderna.

Todo o descalabro causado pelo dinheiro é oriundo da nossa devoção a ele. No entanto, devemos evitar os dois extremos: um que o coloca como supremo objeto de culto e outro que o demoniza. Estes dois pólos - o capitalismo e o marxismo – estão em constante confronto. Mas, exatamente na dicotomia existente entre eles, há o iminente estabelecimento do Reino dos Céus.

Somos cientes dos males causados pelo capitalismo extremo ou qualquer outro comportamento, sistema econômico ou regime político que atribua ao dinheiro um valor absurdamente acima de tudo e todos. Contudo, usando este artifício de maneira ardilosa e sob o preceito de extinguir o hiato entre a burguesia e o proletariado, Karl Marx, o criador do regime político mais genocida do planeta, articulou mecanismos que visam dilacerar a moralidade de toda uma sociedade. Seu propósito? Que ela seja sucumbida e dominada pelo motim chamado de ‘movimento revolucionário’ que, gradativamente, tem corroborado para a degradação a qual somos reféns.

Publicado anteriormente na edição 001 de Profecia

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